
Cerca de 500 pessoas participaram, na terça-feira (11), do Rally Forrageiras para o Semiárido, realizado na Unidade de Referência Tecnológica (URT), em Nossa Senhora da Glória. A iniciativa levou aos produtores rurais conhecimento e tecnologias voltadas à produção e conservação de alimentos para o rebanho, com foco no planejamento da atividade e na convivência com as condições do semiárido.
Durante o Dia de Campo, os participantes percorreram estações técnicas e conheceram, na prática, alternativas para compor um cardápio forrageiro adaptado à realidade da região. Manejo de pastagens, implantação de palma forrageira, conservação de forragens e planejamento da alimentação dos animais ao longo do ano estiveram entre os temas apresentados.
O diretor executivo do Instituto CNA, Christiano Nascif, destacou que a transferência dos resultados de quase dez anos de pesquisa para o campo pode representar ganhos em produtividade, renda e qualidade de vida para os produtores.
“Esse trabalho do Instituto CNA, do Sistema CNA, juntamente com a Faese, o Senar Sergipe e os Sindicatos, significa levar mais dinheiro para o bolso do produtor. A tradução de dez anos de pesquisa significa maior produção e maior produtividade para a pecuária leiteira, para a pecuária de corte e para a ovinocaprinocultura. É isso que o Sistema CNA busca: melhorar a qualidade de vida, aumentar a produção e a produtividade do setor agropecuário. No Nordeste e no semiárido não pode ser diferente”, destacou.
O presidente do Sistema Faese/Senar, Gustavo Dias, ressaltou a participação dos produtores e a importância do investimento em conhecimento e inovação para melhorar os resultados nas propriedades.
“É importante mostrarmos aos nossos produtores o quanto precisamos investir em tecnologia, conhecimento e inovação. A forragem é uma das coisas mais importantes dentro da propriedade. Primeiro precisamos pensar na alimentação dos nossos animais e, a partir daí, nos resultados. Inserir novas tecnologias de capim, forragem e silagem contribui para baixar os custos e produzir mais e melhor”, afirmou.
Pesquisa que chega ao produtor
O Rally integra o Projeto Forrageiras para o Semiárido, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Embrapa, iniciada em 2017. Ao longo de quase dez anos, o projeto avaliou diferentes espécies forrageiras em condições reais de produção nos nove estados do Nordeste e em Minas Gerais, avançando também para estudos com animais e estratégias de alimentação adaptadas à realidade do semiárido.
Segundo a coordenadora do Projeto Rally Forrageiras para o Semiárido, Alenilda Carvalho, o momento agora é de fazer esse conhecimento chegar a quem está no campo.
“O Rally vem trazer para o produtor os resultados de uma pesquisa que nasceu em 2017 e que vem validando materiais há quase dez anos em ambiente real. É o fechamento oficial da entrega da pesquisa e das tecnologias que agora serão transformadas em extensão”, explicou.
Na etapa sergipana, os produtores tiveram acesso a informações sobre conservação de forragem, implantação de palma forrageira e manejo das pastagens, compondo o chamado cardápio forrageiro.
“A seca é uma realidade e o produtor precisa se planejar. Entendemos que esse cardápio pode ajudá-lo a produzir com mais segurança e rentabilidade”, acrescentou Alenilda.
Alternativas para a realidade do semiárido
Para a analista de Pecuária da Faese, Mikaele Alexandre, as tecnologias apresentadas são ferramentas importantes tanto para o planejamento da propriedade quanto para a alimentação dos animais.
“As tecnologias apresentadas durante o Rally são ferramentas importantes tanto para o planejamento quanto para o momento do arraçoamento dos animais. Apresentamos alimentos alternativos e informações sobre conservação das forragens e diferentes formas de utilização. É um polo de conhecimento para que os produtores entendam como essas alternativas podem ser usadas para enfrentar os desafios da nossa região semiárida e promover mais desenvolvimento no campo”, explicou.
Para quem vive diariamente os desafios da pecuária, o Dia de Campo foi também uma oportunidade de buscar alternativas que possam ser incorporadas à propriedade. O pecuarista Rodrigo de Oliveira contou que a baixa ocorrência de chuvas neste ano afetou a produção de alimento para o rebanho.
“Um evento como esse é muito importante. Sempre que podemos buscar mais conhecimento, vamos atrás, e uma oportunidade dessa eu não poderia perder. Tivemos um ano com poucas chuvas e não conseguimos fazer muita silagem para os nossos animais. O evento trouxe novas alternativas de forragem, que foi justamente o que vim buscar, e pretendo levar algumas dessas ideias para a minha propriedade”, afirmou.
O pecuarista Ueverton Grigório também ressaltou a importância de aproximar o produtor das tecnologias desenvolvidas para a realidade do campo.
“É de suma importância essa parceria do Senar e da Faese para aproximar o homem do campo das novas tecnologias que estão chegando para beneficiar a atividade. É também uma forma de levar conhecimento ao produtor para enfrentar os períodos de escassez de chuva no semiárido”, destacou Ueverton.
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